Melancia

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Melancia (Citrullus lanatus) é o nome de uma planta da família Cucurbitaceae e do seu fruto. Trata-se de uma erva trepadeira rastejante originária da África.

Origem

Originária das regiões secas tem um centro de diversificação secundário no sul da Ásia. A domesticação ocorreu na África central, onde a melancia é cultivada há mais de 5000 anos. No Egito e no oriente médio é cultivada há mais de 4000 anos. Na China a cultura foi introduzida por volta do século X, na Europa por volta do século XIII e na América no século XVI . Foi trazida ao Brasil por negros de origem Banto e Sudanês no processo de escravidão.

A produção brasileira foi estimada pelo IBGE em 144 mil toneladas de frutos em 1991, concentrada principalmente nos estados de Goiás (onde se situa a capital nacional da melancia, Uruana, com a festa nacional da melancia – sempre no mês de setembro) Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo.

O termo arcaico do português para se referir à fruta é «balancia» ou «belancia».

Características

A planta é rasteira e anual com folhas triangulares e trilobuladas e flores pequenas e amareladas, gerando um fruto arredondado ou alongado, de polpa vermelha, suculenta e doce, com alto teor de água (cerca de 92%) e diâmetro variável entre 25 e 140 cm. A casca é verde e lustrosa, apresentando estrias escuras.

Sua composição, além do alto teor de água, inclui carboidratos, vitaminas do complexo B e sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro.

Benefícios da Melancia

A Melancia é uma fruta saborosa e muito refrescante, uma boa pedida para o verão. Ela pode ser consumida em fatias ou em pedaços, na forma de sucos ou em saladas de frutas .Ela é muito consumida em regiões secas do continente africano pois cerca de 92% do seu conteúdo é de água. Mas não é só a sua polpa que é comestível. Muitos locais fazem uso da casca e das sementes de melancia. Com a casca, pode ser feito conservas. Para tal, são preferíveis os frutos de plantas de cultivo orgânico, pois as cascas estarão livres de pesticidas. Sementes assadas são consumidas pelos povos do Oriente Médio. Os indianos, por sua vez, preparam um pão com uma farinha feita a partir dessas sementes.

a melancia é composta majoritariamente por água, o que faz dela, portanto, um alimento pouco calórico: 100g da fruta fornece apenas 30 calorias provenientes principalmente de açúcares pois as quantidades de proteínas e gorduras são inexpressivas.

Apesar das baixas calorias, o fruto é muito nutritivo. A melancia é uma excelente fonte de vitamina C e apresenta boas quantidades de carotenoides (como o licopeno e o betacaroteno), vitamina B1, vitamina B2, vitamina B3, ácido pantotênico, vitamina B6, biotina, ácido fólico, cálcio, fósforo, magnésio, potássio, cobre e do aminoácido citrulina. Na melancia também encontramos o fitonutriente cucurbitacina E. Já suas sementes contêm quantidades significativas de lipídeos.

Em síntese, as principais propriedades medicinais da melancia são sua capacidade antioxidante e anti-inflamatória. Vejamos então o que o consumo de melancia pode trazer de benefícios para a nossa saúde.

A melancia apresenta atividade anti-inflamatória

A cucurbitacina E é uma molécula do tipo triterpenoide, presente na melancia, que apresenta uma importante atividade anti-inflamatória. Ela é capaz de inibir a enzima cicloxigenase (ou COX), que está envolvida em processos inflamatórios.

Ela também tem uma ação antioxidante, pois ajuda a combater espécies reativas de oxigênio.

A melancia é boa para o coração

Uma xícara de polpa de melancia apresenta aproximadamente 250 mg de citrulina. Quando ingerimos o fruto, a citrulina é convertida pelo nosso organismo, mais precisamente nos rins e na parede dos vasos sanguíneos, em outro aminoácido, a arginina. A enzima óxido nítrico sinetaste (NOS), produzida por diversos tipos celulares, se vale da arginina para sintetizar o gás óxido nítrico, um potente vasodilatador, pois ele consegue relaxar a musculatura presente nos vasos sanguíneos. Isso proporciona uma redução da pressão arterial que, quando alta, consiste em um importante fator de risco para as doenças cardíacas. Em uma pesquisa, adultos obesos de meia-idade que consumiram extrato de melancia contendo esses aminoácidos, experimentaram uma atenuação da pressão arterial.

Outro constituinte da melancia, o potássio, também possui um efeito vasodilatador.

Já os agentes antioxidantes, como o licopeno, o betacaroteno e a vitamina C, evitam quadros de estresse oxidativo, situação que promove a oxidação de proteínas e lipídeos, levando a formação das placas arterioscleróticas.

A melancia é boa para os rins

A ingestão de melancia aumenta o fluxo de excreção de urina. Ela é considerada um diurético natural e não pressiona os rins para isso. Eliminar mais urina é bom para os rins e para todo o organismo, já que dessa forma conseguimos nos livrar de bactérias (e com isso prevenir e acabar com as cistites), resíduos e outros xeno bióticos (compostos estranhos ao organismo humano).

O potássio presente na melancia também estimula essa limpeza dos rins. Além disso, a presença deste elemento químico no sangue evita a formação de ácido úrico, que quando passa a se acumular pode originar os famosos cálculos renais, bem como doenças que afetam as articulações (como a gota).

A melancia é boa para os olhos

A melancia é uma boa fonte de betacaroteno, que em nosso organismo é transformado em vitamina A. Os benéficos dessa vitamina para a saúde dos olhos são notórios: a vitamina A evita a cegueira noturna e previne a ocorrência da degeneração macular relacionada com a idade.

A melancia é boa para os músculos

A melancia é rica em potássio, um eletrólito essencial para o processo de contração muscular e para a transmissão dos impulsos nervosos.

O aminoácido citrulina encontrado na melancia também traz benefícios para os músculos. Em uma pesquisa publicada no Journal of Agricultural Food and Chemistry, sete atletas do sexo masculino, consumiram, uma hora antes dos treinos, 500 ml de suco de melancia natural, ou de suco de melancia enriquecido com citrulina ou de placebo. Os resultados revelaram que eles tiveram uma redução da frequência cardíaca, bem como da dor muscular pós-treino (isto é, do dia seguinte). Como já vimos, a citrulina é convertida a arginina em nosso organismo, e esta por sua vez propicia a síntese do vasodilatador óxido nítrico.  O estudo ainda revelou que o suco natural foi tão efetivo quanto a forma enriquecida e que o intestino consegue absorver mais citrulina oriunda do suco de melancia, sobretudo se este não for pasteurizado, do que a partir de suplementos desse aminoácido.

A melancia é boa para os ossos

Um dos agentes antioxidantes encontrados na melancia, o licopeno, estimula o processo de formação óssea, prevenindo assim o desenvolvimento de osteoporose. O período pós-menopausa é muito propício para a ocorrência dessa doença. Em uma pesquisa, mulheres na pós-menopausa consumiram o licopeno, e foi constatado uma correspondência entre o consumo de licopeno e seu efeito antioxidante e a redução do processo de “degradação” óssea.

Outros estudos têm relatado como o licopeno consegue propiciar esse benefício para os ossos: ele impulsiona a diferenciação e proliferação dos osteoblastos (células responsáveis pela formação da matriz óssea), e o funcionamento da enzima fosfatase alcalina (enzima sintetizada pelo próprio osteoblasto, que participa desse processo de formação dos ossos). Além disso, o licopeno impede o processo de diferenciação dos osteoclastos (células responsáveis pela reabsorção da matriz óssea) e a síntese de espécies reativas de oxigênio que são agentes oxidantes prejudiciais.

A melancia auxilia na prevenção e no combate ao câncer

A defesa antioxidante do nosso organismo é decorrente da atividade de certas enzimas e da ação de agentes não enzimáticos, como alguns nutrientes da dieta. A melancia é um alimento com um grande poder antioxidante pois apresenta quantidades significativas de licopeno, betacaroteno e vitamina C. Com o consumo do fruto, temos uma ação antioxidante sinérgica, sendo esta uma forma de se prevenir e combater os mais variados tipos de câncer.

Um estudo revelou que em pacientes com o câncer, situações de estresse oxidativo, isto é, quando a quantidade de agentes oxidantes supera essa defesa antioxidante do organismo, modificam a expressão dos genes supressores tumorais (genes relacionados com o ciclo celular), promovendo a multiplicação desenfreada do tecido canceroso.

A melancia ajuda a evitar a disfunção erétil

O óxido nítrico gerado a partir da ingestão de melancia (isto é, da citrulina, que logo é transformada em arginina) também é eficaz contra a disfunção erétil. O gás promove o relaxamento da musculatura dos vasos sanguíneos, o que aumenta o aporte de sangue para o pênis. O medicamento mais famoso contra a disfunção erétil tem o mesmo mecanismo de ação.

A melancia auxilia a emagrecer

Quando fazemos dieta ou entramos em um processo de reeducação alimentar, podemos sentir falta de comer doces. A melancia é uma excelente opção para driblar essa vontade: ela é doce, pouco calórica e uma escolha muito mais saudável.

O consumo da fruta também diminui a sensação de fome, graças ao seu grande teor de água.

Valor nutricional

Tem propriedades hidratantes (contém cerca de 90% de água). Além disso, possui também açúcar, vitaminas do Complexo B e sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro.

  • Cada 100 gramas de melancia contêm:
    • Caloria – 35 Kcal
    • Água (%) – 92
    • Carboidratos – 6,88g
    • Proteínas – 0,63g
    • Gorduras – 0,63g
    • Colesterol – 0
    • Vitamina A – 368,75U.l.
    • Vitamina B1 (Tiamina) – 25mcg
    • Vitamina B2 (Riboflavina) – 35mcg
    • Vitamina B3 (Niacina) – 0,19 mg
    • Vitamina C (Ácido ascórbico) – 9,38 mg
    • Sódio – 1,88 mg
    • Potássio – 116,25 mg
    • Fósforo – 8,75 mg
    • Cálcio – 8,13 mg
    • Ferro – 0,45 mg
    • Beltamol – 1,13 mg
    • Colbenazotol – 3,80 mg

 

Flor de melancia 

   

 Pé de melancia (ou rama de melancia)